all about that met

texto originalmente escrito no medium em 2023.
dia desses vi uma postagem sobre ser fã (recomendo muito que clique no link e leia) e achei muito interessante porque depois de uma certa idade parece que a gente entra no hall de personas no gratas, e não bastasse ter que nos vestir como uma mulher da nossa idade, não cabe mais ser fã e ter pequenos surtos.

deve ser por isso que eu amava o orkut, e o mundo paralelo que existia nele onde eu realmente podia conversar horas com pessoas que eram fãs dos mesmos artistas, ou músicos, bandas sem me sentir uma et.

tô fazendo essa introdução porque eu não nasci gostando do metgala, embora tenha entrado e saído da moda há muito tempo, só fui conhecer o evento em 2012 pesquisando fotos da Sienna Miller, atriz que eu gosto e acompanho o trabalho (inclusive tenho uma página no tumblr onde posto fotos de eventos e tal).

então desde que me reencontrei profissionalmente atuando como consultora de estilo falo sobre ele nos meus stories, já fiz até uma postagem sempre sem muito compromisso.

ano passado tive uma certa ansiedade porque redes sociais geram esse desconforto, parecia que se eu não escrevesse ou postasse sobre o metgala enquanto o burburinho tivesse rolando, minha percepção seria irrelevante;

não tô muito interessada no tema desse ano, e nem de falar sobre as roupas que serão usadas na próxima segunda-feira, por outro lado a penélope cruz é uma das anfitriãs e ela me lembra alguém (não vou dar nomes pra não rolar treta) e então talvez eu faça alguns stories comentando a respeito.

tenho essa curiosidade de saber sobre as coisas e como tudo começa, e por quês e etc. etc. etc. (só pras fãs de fragmentado hein)

essa semana aconteceu algo muito muito legal! nos intervalos de estudos, trabalho e da vida acontecendo sentei pra pesquisar sobre o evento; surgiu então uma oportunidade de 1 em 1 milhão: enviar no substack perguntas (enviei duas que aparecem em negrito logo abaixo) sobre o met gala pra jornalista de moda independente Amy Odell — a autora da biografia da Anna Wintour e torcer pra que fossem respondidas!

e ela gentilmente respondeu! (optei por não copiar e colar as resposta e exercitar o meu poder de informar vindo lá das aulas de comunicação da uff hahahah)

> como a ideia de um baile toda segunda de maio surgiu?

de acordo com amy depois do homenageado desse ano ano ter naufragado a exibição do Costume Institute de 2000 a data do evento foi movida para a primavera (no hemisfério norte, ela acontece em março); durante a pesquisa que ela fez para escrever a biografia da anna wintour foi dito que ‘’ isso ajudaria o museu a arrecadar mais dinheiro’’ e do ponto de vista dela o intuito foi também ‘’distanciar o evento da estação social de outono, quando diversos eventos de caridades acontecem em New York, mirando no público do old money, e também não pedir a marcas por dinheiro no fim do ano quando o orçamento de marketing já está esgotado’’

em sua resposta ela mencionou ainda um fato que nem sempre a gente pensa por mais óbvio que seja: curar, manter e preservar peças de roupa e artigos de moda, é totalmente diferente de curar e preservar obras de arte- o custo da manutenção é altíssimo. por esse motivo ela reforça a importância do valor arrecadado no baile pelo ‘’Costume Institute que é autofinanciado e não recebe nenhum benefício das doações do Metropolitan Museum.’’

amy ainda cita que essa mudança foi fundamental para o posicionamento e percepção do MetGala que temos hoje, um ‘’evento grande e especial’’, justamente por esse afastamento da cultura e do circuito de caridade de Manhattan e proximidade com Hollywood.

‘’Anna conseguiu fazer as pessoas irem ao museu, e para o museu isso é uma vitória.’’ — Amy Odell

> toda edição tem suas complexidades e pensando sobre os temas e excluindo a edição pandêmica, qual delas foi a mais difícil de ou mais complexa de realizar? (fazer curso de gestão de negócios de moda e gestão de projetos ágeis na ebac gritaram nessa pergunta)

fiquei muito pensativa quando recebi a resposta porque o tema que foi o mais complexo de realizar estava sendo pensado dois anos antes de acontecer!

e ainda há quem diga que dá mesmo pra ganhar 7 dígitos da noite pro dia e que insiste no discurso de que basta a gente se esforçar muito que a gente consegue.

amy informou que a anna wintour ‘’trabalha com o Costume Institute para decidir a respeito do que a exibição será’’ e adicionou que a opinião de wintour orbita entre temas que possivelmente interessa o público, e os que ela consegue angariar patrocínio.

o tema que deu trabalho (ou seja trabalhar dá trabalho até pra anna wintour) foi

heavenly bodies — fashion and the catholic imagination

ele aconteceu em 2018 de acordo com andrew bolton (curador do Metropolitan Museum of Art’s Costume Institute desde 2006) tendo rihanna como co-anfitriã;

‘’ele me disse que o heavenly bodies: fashion e o imaginário católico foi particularmente desafiador de executar’’

mesmo o met sendo uma instituição burocrática de acordo com ele ‘’o vaticano fez parecer um “jardim de infância”.’

pra entender o tamanho do perrengue: ele passou dois anos trabalhando na exibição em conversas com a anna wintour e foram até lá para discutir sobre os itens a serem leiloados com um representante do vaticano que disse a eles que eles teriam que falar com o prefeito da casa pontifícia, georg gänswein e aí foi que o barraco desabou (8)

imagine anna wintour perguntando “podemos nos encontrar com ele?” aguardando um ‘sim, agora’ e na verdade ‘’foi dito a ela que levaria meses para um encontro com ele’’. “anna olhou pra mim e disse, ‘este não é seu momento mais admirável’ por que ela tinha saído de New York especialmente pra esse viagem’’ e quando eu li isso tudo que consegui imaginar foi

posteriormente ele voltou sem ela para a reunião e no fim gänswein disse que era um grande fã de tênis e o perguntou se anna conhecia roger federer e se poderia organizar um encontro entre eles;

‘as conexões dela com o tenista foram o que selaram o negócio com o vaticano basicamente, ele concordou com os empréstimos, e mais. na verdade, eu não sei se ele se quer chegou a conhecer o Roger.’

então toda vez que você pensar em desistir e jogar pro alto todas as coisas porque ouviu um não, pensa que anne wintour já foi barrada e viajou apenas para escutar que precisava agendar uma reunião e que isso levaria meses, combinadas?

ps: esse texto faltando alguns dias pro dia das mães contou com uma ajuda muito especial: meu filho, que passou um tempo me ouvindo surtar quando soube que ela responderia minhas perguntas, quando ela respondeu e ainda fez a tradução do texto das respostas originais.

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